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Brasil Eleições 2026

Campanhas intensificam disputa nas redes sociais e transformam fatos políticos em cadeias de conteúdo

Levantamento da campanha de Lula aponta 5,7 milhões de interações no Instagram em uma semana; gastos eleitorais também mostram peso crescente da comunicação digital

17/09/2026 às 10h23
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão
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Campanhas intensificam disputa nas redes sociais e transformam fatos políticos em cadeias de conteúdo

A reta final das Eleições 2026 está transformando as redes sociais em um dos principais espaços da disputa entre as campanhas presidenciais. Um levantamento produzido pelo núcleo de comunicação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aponta que o perfil do presidente alcançou 5,7 milhões de interações no Instagram em uma semana, enquanto o de Flávio Bolsonaro (PL) registrou cerca de 5 milhões. 

Na comparação entre os partidos, segundo o mesmo levantamento, o PT alcançou 3,2 milhões de interações, enquanto o PL ficou abaixo de 1 milhão no período analisado. Como os números foram produzidos pela própria campanha de Lula, devem ser compreendidos como dados atribuídos ao núcleo petista, e não como uma auditoria independente realizada pelas plataformas. 

A campanha de Flávio, por sua vez, divulgou nesta quinta-feira outro levantamento, baseado na plataforma Fanpage Karma, segundo o qual o senador ganhou 8,7 milhões de seguidores em suas redes entre outubro de 2025 e setembro deste ano, enquanto Lula teria acrescentado 3,5 milhões no mesmo período. Os dados, novamente, são apresentados pela própria campanha interessada. 

Digital ocupa espaço crescente nos gastos eleitorais

O peso das plataformas também aparece nas prestações de contas.

Dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral e levantados até 11 de setembro mostravam que candidatos e partidos já haviam informado aproximadamente R$ 1 bilhão em despesas com fornecedores de campanha. O Facebook aparecia na liderança entre os fornecedores, com R$ 46,5 milhões recebidos. 

O cenário demonstra uma mudança na estrutura da comunicação eleitoral. Um acontecimento político relevante pode gerar, em poucas horas, pronunciamentos, vídeos curtos, transmissões ao vivo, anúncios patrocinados e respostas dos adversários, multiplicando a mesma disputa narrativa em diferentes formatos.

A crise envolvendo o STF e o Banco Master tem sido um exemplo recente dessa dinâmica, com campanhas produzindo conteúdos e respostas sucessivas sobre os acontecimentos.

Interação não é intenção de voto

Apesar do volume, métricas digitais precisam ser interpretadas dentro de seus limites. Número de seguidores, visualizações, curtidas, comentários ou compartilhamentos não equivale a intenção de voto.

Um conteúdo pode alcançar milhões de pessoas porque recebeu apoio, críticas ou simplesmente despertou curiosidade. Além disso, os algoritmos das plataformas, investimentos em impulsionamento e características diferentes das bases de seguidores afetam diretamente o alcance.

Para a comunicação política, os números mostram sobretudo a velocidade e a centralidade que as plataformas assumiram na campanha de 2026. Para medir preferência eleitoral, entretanto, pesquisas com metodologia e amostragem próprias continuam respondendo a uma pergunta diferente daquela apresentada pelas métricas das redes sociais.

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