
Uma nova pesquisa Datafolha revela uma relação complexa dos brasileiros com o Supremo Tribunal Federal. De acordo com o levantamento, 76% consideram que os ministros do STF possuem poder excessivo, enquanto apenas 18% discordam dessa avaliação.
Apesar da crítica, a maioria não questiona a necessidade da instituição. Para 71% dos entrevistados, o Supremo é essencial para a defesa da democracia brasileira. Outros 21% discordam dessa afirmação.
Os dois números mostram que a insatisfação com a atuação ou com o poder atribuído aos ministros não necessariamente significa rejeição à existência ou ao papel constitucional do tribunal.
Outro resultado reforça o desgaste enfrentado pela Corte. Para 77% dos entrevistados, as pessoas confiam menos no STF atualmente do que no passado. Apenas 16% discordaram dessa percepção.
O levantamento foi realizado justamente durante a escalada da crise envolvendo integrantes do Supremo, Polícia Federal e as investigações relacionadas ao Banco Master.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026.
Os resultados também apresentam diferenças de acordo com a posição política dos entrevistados. Entre eleitores identificados com o bolsonarismo, as avaliações sobre o excesso de poder dos ministros são mais críticas. Já entre eleitores de Lula há maior reconhecimento do STF como instituição de defesa da democracia.
O levantamento chama atenção principalmente porque as respostas não apontam simplesmente para uma sociedade dividida entre defensores e críticos do Supremo.
Uma mesma parcela da população pode considerar que os ministros acumularam poder excessivo e, simultaneamente, entender que a existência de uma Suprema Corte forte é indispensável ao funcionamento da democracia.
Em meio à crise atual, essa diferença entre avaliar os integrantes da Corte e avaliar a instituição passa a ser um elemento importante para compreender como os acontecimentos no STF poderão repercutir também na campanha eleitoral.
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