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TJPB reforma sentença e rejeita ação movida por ex-vereador de Bom Jesus em caso envolvendo críticas políticas

Ao analisar o recurso, o colegiado concluiu que as manifestações ocorreram em um contexto de debate político e estavam amparadas pela liberdade de expressão, inexistindo o dolo específico necessário para a configuração do crime de injúria.

08/07/2026 às 16h56
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão
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TJPB reforma sentença e rejeita ação movida por ex-vereador de Bom Jesus em caso envolvendo críticas políticas

A 1ª Turma Recursal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) reformou a sentença de primeiro grau e deu provimento ao recurso apresentado pela prefeita de Bom Jesus, Denise Bandeira de Melo Barbosa Pereira, além de Augusto Abel Félix, Érica Luana de Lucena Moura e Emerenziana Gonçalves de Almeida, absolvendo todos da acusação de injúria proposta pelo ex-vereador Paulo Sérgio Dantas Melo Rolim.

A ação teve origem em publicações realizadas nas redes sociais após uma sessão da Câmara Municipal de Bom Jesus. Na ocasião, os recorrentes compartilharam manifestações críticas direcionadas ao então vereador, utilizando a expressão "desprezível vereador".

Ao analisar o recurso, o colegiado concluiu que as manifestações ocorreram em um contexto de debate político e estavam amparadas pela liberdade de expressão, inexistindo o dolo específico necessário para a configuração do crime de injúria.

Em seu voto, o relator destacou que agentes públicos e figuras políticas estão sujeitos a um maior grau de exposição e devem suportar críticas mais contundentes relacionadas ao exercício de suas funções. A decisão também ressaltou que o Direito Penal não deve ser utilizado para restringir o debate democrático quando as manifestações configuram mera crítica política, ainda que severa.

Com esse entendimento, a Turma Recursal absolveu todos os recorrentes com fundamento no artigo 386, inciso III, do Código de Processo Penal, por entender que o fato não constitui infração penal.

Com a reforma integral da sentença, a Turma Recursal também afastou as condenações ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios impostas na decisão de primeiro grau..

No acórdão, os magistrados reforçaram o entendimento de que a configuração dos crimes contra a honra exige a demonstração do dolo específico de ofender a honra subjetiva da vítima e que críticas dirigidas à atuação de agentes públicos, quando inseridas no contexto do debate político, encontram proteção constitucional na liberdade de expressão.

 

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