
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou, nesta quarta-feira (28), que não possui provas para sustentar a acusação de fraude eleitoral apresentada pelo candidato derrotado. A declaração ocorreu após Flávio divulgar, dos Estados Unidos, uma carta contestando o resultado da eleição.
Em entrevista a jornalistas no Senado, Marinho afirmou que o partido não pode fazer essa acusação porque “não há provas nesse sentido”. Ao mesmo tempo, classificou o documento como um desabafo e defendeu a posição de Flávio como uma das principais lideranças da direita brasileira.
A manifestação evidencia a diferença entre o teor da carta e a posição apresentada pelo coordenador da campanha sobre a existência de elementos que sustentem a contestação.
Na primeira versão divulgada na rede social X, Flávio se apresentou como o verdadeiro presidente eleito do país. Cerca de meia hora depois, o texto foi substituído por outro que o identificava como líder do Brasil.
Na carta, o senador agradeceu aos presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, pelo apoio que afirmou ter recebido para deixar o Brasil. Também declarou a intenção de conduzir a oposição a partir do exterior.
Ao comentar a mudança no documento, Marinho atribuiu a primeira redação a um possível problema na elaboração da carta.
Um dos argumentos usados por Flávio foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender o horário de votação do segundo turno até as 19h. A medida, contudo, atendeu a solicitações das campanhas do PL e do PT.
Segundo os dados apresentados pela Agência Brasil, a prorrogação contabilizou 34.393 votos. A diferença nacional entre os candidatos foi de milhões de votos, com vitória de Lula.
As alegações apresentadas na carta não vieram acompanhadas de provas de fraude. O resultado foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo próprio PL.
Marinho também defendeu que Flávio continue exercendo liderança política, mesmo fora do Brasil. O senador deixou o país sem que houvesse uma ordem de prisão contra ele, embora existissem determinações judiciais relacionadas à entrega de seus passaportes.
Flávio é alvo de investigações, que não equivalem a condenações. A divulgação da carta acrescenta um novo episódio à reorganização da oposição após a eleição, enquanto integrantes do partido procuram definir sua atuação no próximo mandato presidencial.
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