
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou estar satisfeito com a atuação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, diante da crise que atingiu a Corte nos últimos dias. Em entrevista concedida ao SBT nesta quinta-feira (10), Lula avaliou que as medidas adotadas pelo ministro começaram a reorganizar institucionalmente o Supremo, embora tenha afirmado esperar novos movimentos para recuperar a credibilidade da instituição.
A declaração ocorre após Fachin suspender decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino envolvendo o comando da Polícia Federal, manter Andrei Rodrigues na direção-geral da corporação e retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.
Ao comentar a atuação do presidente do STF, Lula afirmou que Fachin colocou “um pouco de ordem na casa”, mas acrescentou que espera mais iniciativas do ministro para enfrentar a crise instalada na Corte.
Durante a entrevista, Lula também defendeu que as suspeitas envolvendo integrantes do Supremo sejam investigadas, independentemente de quem seja atingido pelas apurações.
O presidente afirmou que, caso Alexandre de Moraes ou André Mendonça tenham cometido irregularidades, devem responder por seus atos. A posição acompanha um discurso adotado pelo petista nos últimos dias em defesa de maior transparência sobre os desdobramentos do caso Banco Master.
Lula já havia defendido a abertura das informações relacionadas às investigações e sustentado que os fatos precisam ser esclarecidos “seja quem for, doa a quem doer”.
A manifestação busca estabelecer uma posição de defesa das instituições sem assumir antecipadamente como verdadeiras as acusações feitas contra os ministros. Até o momento, a existência de mensagens, relatórios e questionamentos não representa, por si só, comprovação das diferentes irregularidades atribuídas aos envolvidos.
Lula também demonstrou confiança no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que esteve no centro do confronto entre Mendonça e Dino.
Mendonça havia determinado o afastamento de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF. Dino posteriormente ordenou a reintegração dos dois. Diante das decisões contraditórias, Fachin suspendeu ambas e manteve a atual direção da Polícia Federal enquanto o Supremo prepara uma resposta colegiada para o impasse.
Na entrevista, Lula defendeu Andrei e criticou a ocorrência de vazamentos seletivos de informações provenientes de investigações. Para o presidente, as apurações devem avançar com transparência e responsabilidade, sem que partes dos procedimentos sejam utilizadas de maneira fragmentada no debate público.
As declarações de Lula acontecem no momento em que Fachin passa a ocupar papel central na tentativa de reorganizar o funcionamento interno do Supremo.
Além de suspender as decisões sobre o comando da PF, o presidente da Corte revogou a portaria que mantinha Alexandre de Moraes à frente do inquérito das fake news. Com isso, inquéritos e investigações ainda em andamento retornam à Presidência do STF, enquanto ações penais nas quais denúncias já foram aceitas permanecem com Moraes.
Fachin também convocou o plenário para discutir coletivamente os principais pontos da crise. A sessão extraordinária está prevista para 15 de setembro.
Juristas ouvidos pelo Estadão/Broadcast avaliaram positivamente a iniciativa. Para eles, a intervenção procura impedir que conflitos entre ministros se sobreponham à atuação institucional do tribunal e transfere decisões de grande repercussão para o colegiado.
O posicionamento de Lula também possui peso político por acontecer a poucas semanas do primeiro turno.
A crise envolvendo o STF, Polícia Federal, Banco Master e Daniel Vorcaro passou rapidamente a integrar os discursos dos candidatos à Presidência. Enquanto Lula procura defender investigação e responsabilização sem romper com a institucionalidade do Supremo, adversários utilizam o episódio para ampliar críticas à Corte e ao próprio governo.
Romeu Zema, por exemplo, também afirmou nesta quinta-feira que Fachin colocou “ordem na casa”, mas adotou uma interpretação muito mais crítica sobre o STF e voltou a defender punições contra integrantes da Corte.
A estratégia de Lula passa, portanto, por uma linha delicada: não assumir a defesa automática dos ministros questionados, preservar a Polícia Federal e, ao mesmo tempo, sustentar a autoridade institucional do Supremo.
Com a sessão extraordinária marcada para o dia 15, o presidente do STF conseguiu interromper temporariamente a escalada de decisões individuais. O próximo desafio será transformar essa intervenção inicial em uma resposta coletiva da Corte — justamente quando cada novo capítulo da crise passa quase imediatamente do campo jurídico para o centro da campanha eleitoral.
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