
A discussão sobre o fim da escala 6x1 entrou em uma nova fase e começa a mobilizar de maneira mais intensa o setor empresarial brasileiro.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou uma campanha nacional contrária à votação da proposta antes das eleições, argumentando que uma alteração dessa dimensão precisa de maior discussão sobre os impactos econômicos e operacionais para empresas e consumidores.
A proposta está sob análise no Senado e possui parecer favorável do relator, senador Omar Aziz (PSD-AM). O texto prevê a substituição da escala de seis dias trabalhados por um de descanso por uma organização com dois dias de repouso semanal, sem redução salarial, além de redução gradual da jornada.
A matéria deve voltar ao centro das atenções nesta quarta-feira (2), quando está prevista a leitura do relatório na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Empresas alertam para custos; trabalhadores defendem qualidade de vida
A mobilização empresarial acrescenta mais uma frente a um debate que envolve interesses distintos.
Entidades ligadas ao comércio, serviços e turismo argumentam que uma redução da jornada sem redução salarial pode aumentar custos operacionais, exigir novas contratações e produzir efeitos sobre preços e funcionamento das empresas. A CNC afirma que aproximadamente 90% dos trabalhadores do setor que representa atuam atualmente no regime 6x1.
Do outro lado, sindicatos, movimentos de trabalhadores e parlamentares favoráveis à mudança defendem que a redução da jornada pode proporcionar melhores condições de trabalho, descanso e qualidade de vida.
Neste domingo (30), centrais sindicais realizaram inclusive uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em defesa da aprovação da mudança.
Impacto direto sobre pequenos negócios
Para setores que precisam funcionar durante praticamente toda a semana, a discussão ganha uma dimensão especialmente prática.
Restaurantes, hotéis, supermercados, comércio, turismo e diferentes segmentos de serviços trabalham com escalas que precisam garantir funcionamento aos sábados, domingos e feriados.
Uma eventual alteração exigiria reorganização de equipes, horários e custos.
Para pequenos empresários, portanto, o debate passa por perguntas objetivas: quantos funcionários serão necessários? Como organizar as folgas? Qual será o impacto na folha? Será possível manter o mesmo horário de funcionamento?
A proposta ainda precisa cumprir as etapas de tramitação no Senado. Por enquanto, portanto, não há mudança aprovada e em vigor.
Mas a mobilização simultânea de empresários e trabalhadores mostra que a escala 6x1 deixou de ser uma discussão distante e se tornou uma das principais pautas trabalhistas e econômicas do momento.
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