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Política Brasília

Hugo Motta cobra respeito e critica uso político da Câmara durante protesto da oposição

Presidente da Câmara reage à obstrução de aliados de Bolsonaro e diz que interesses pessoais e eleitorais não podem se sobrepor ao funcionamento da Casa

07/08/2025 às 09h22 Atualizada em 08/08/2025 às 11h20
Por: Políticas & Negócios Fonte: Claudete Leitão
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 (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
(Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), subiu o tom durante a sessão plenária realizada na noite desta quarta-feira (6), após a Casa enfrentar mais de 24 horas de obstrução por parte de parlamentares da oposição. O grupo protesta contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e pede a anistia irrestrita aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, além do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Motta abriu os trabalhos por volta das 22h30, com críticas diretas ao comportamento dos deputados oposicionistas. “A oposição tem todo o direito de se manifestar, de expressar sua vontade. Mas tudo isso tem que ser feito obedecendo o nosso regimento e a nossa Constituição”, disse. “Não vamos permitir que atos como esse possam ser maiores do que o Plenário e a vontade desta Casa.”

Ao reforçar o papel institucional da Câmara, Hugo Motta mandou um recado claro: “Projetos individuais, pessoais ou eleitorais não podem estar acima do que é maior que todos nós, que é o povo brasileiro.”

A sessão, marcada originalmente para 20h30, atrasou por conta da ocupação do plenário por deputados bolsonaristas. Ao chegar para assumir a presidência dos trabalhos, Motta enfrentou resistência de parlamentares como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS), que tentaram barrar o avanço da sessão.

Apesar do clima tenso, o presidente fez questão de afirmar que seguirá defendendo o diálogo e o respeito, sem abrir mão da autoridade do cargo. “Sempre lutarei pelas nossas prerrogativas e pelo livre exercício do mandato. Mas isso exige respeito ao direito de fala, de posicionamento e também ao papel de quem preside esta Casa.”

Risco de punição

Segundo nota oficial da Secretaria-Geral da Mesa, as ações que impeçam o funcionamento regular da Câmara podem configurar quebra de decoro. O Regimento Interno prevê até a suspensão do mandato, por até seis meses, para parlamentares que atrapalharem os trabalhos legislativos.

Criança no plenário vira alvo de denúncia

Em meio ao tumulto, uma situação inusitada também chamou atenção: a presença da filha da deputada Júlia Zanatta (PL-SC), um bebê de colo, no centro da confusão. A parlamentar chegou a ocupar a cadeira da presidência com a criança nos braços, o que gerou uma denúncia formal do deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos, ao Conselho Tutelar.

Segundo Reimont, houve exposição da criança a “risco físico e tensão institucional”. Júlia reagiu com ironia: “Fui chamada pelos colegas e tive que vir com a minha bebê. Será que vão tirar a gente à força?”

O clima segue quente em Brasília e a tendência é de mais embates nos próximos dias. Mas, como deixou claro Hugo Motta, o regimento não está em recesso.

 

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