
A ministra também destaca a importância da inovação como investimento no futuro do Brasil e ressalta a prioridade do governo de “gastar bem o que temos, com eficiência e eficácia”. Confira a seguir a entrevista:
REVISTA INDÚSTRIA BRASILEIRA - Como a igualdade de gênero contribui com o crescimento econômico?
SIMONE TEBET - Uma estimativa da Organização Mundial do Trabalho (OIT), feita em 2018, aponta que, se mulheres e homens tivessem o mesmo salário e a mesma função no mercado de trabalho, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial cresceria em 26%. Esse cálculo reflete o que já sabemos e, por isso, faz sentido: a mulher usa seu salário para comprar comida, comprar material escolar para filhos e filhas, pagar por um serviço de saúde ou investir em uma melhoria para a casa. Ela também poupa, mas faz a economia girar, movimentando o setor de serviços, o comércio e, muito intuitivamente, faz isso olhando para o futuro. Ela compra comida, mas investe na educação dos filhos. Além do efeito positivo de como elas gastam a sua renda, a inserção igualitária de mulheres no trabalho incrementa a produtividade, principalmente quando olhamos para sua qualificação. A cada cem profissionais contratados com doutorado, 53 são mulheres.
REVISTA INDÚSTRIA BRASILEIRA - Nesse sentido, que medidas concretas podem ser adotadas pelo governo e pelas empresas, tanto públicas como privadas?
SIMONE TEBET - Toda lei é, ao mesmo tempo, um pontapé para o avanço de uma política pública e um reflexo dos avanços que a sociedade já conquistou. O projeto de lei apresentado pelo presidente Lula para garantir a igualdade salarial é um exemplo nessa direção. É verdade que empresas geridas com responsabilidade já agem para enfrentar o preconceito interno, mas muitos empresários ainda acham que mulher produz menos. No fundo, eles sabem que isso não é verdade, mas se aproveitam desse discurso preconceituoso para pagar menos. É para esse tipo de empresário que o projeto de lei foi pensado. Trata-se de um esforço concentrado de todos nós no combate a qualquer tipo de discriminação. É um esforço do Estado, das empresas e da sociedade civil. Em todos os níveis educacionais, as mulheres superam os homens: há mais mulheres com ensino médio, superior, mestrado e doutorado.
REVISTA INDÚSTRIA BRASILEIRA - Qual é a importância da inovação para estimular o crescimento econômico?
SIMONE TEBET - Investir em inovação e tecnologia é investir no futuro. O Brasil precisa mudar para voltar a crescer e se desenvolver de forma sustentável e competitiva. Inovação e produtividade andam juntas. Se usarmos bem essas duas ferramentas, vamos potencializar nossos investimentos, pois eles estarão devidamente direcionados a segmentos industriais mundialmente estratégicos. Temos diversas competências de pesquisa no Brasil que poderiam ser empregadas para desenvolver tecnologias fundamentais e fechar gaps da nossa indústria.
Diante dos recursos escassos e da necessidade de equilibrar as contas, o que pode ser aprimorado na alocação de gastos públicos?
SIMONE TEBET - Nossa prioridade é gastar bem o que temos, com eficiência e eficácia. Isso requer, obviamente, um planejamento. Requer uma avaliação periódica, com monitoramento das políticas públicas que estão sendo executadas pelo governo federal em todas as suas pastas. E exige que nós – ao lado do Ministério da Fazenda, que tem a chave do cofre – sejamos rigorosos, não só na análise legal e técnica do orçamento, mas também na decisão do que gastar e de como gastar dentro das prioridades. O governo anterior acabou com as políticas públicas, atacou a educação, a saúde e a ciência. Nosso governo tem uma dupla responsabilidade: a fiscal e a social. Pior do que não gastar é gastar mal.
REVISTA INDÚSTRIA BRASILEIRA - Essas mudanças podem incentivar novos investimentos?
SIMONE TEBET - Com certeza. O gasto público mais eficiente qualifica o cidadão ao garantir a ele uma boa educação, uma boa saúde, um transporte público eficiente. E esse cidadão, que passa a ter uma vida mais digna, devolverá isso, de forma natural, em um incremento da produtividade. Ninguém produz com fome. Além do ganho por estarmos em uma sociedade mais igualitária e inclusiva, as políticas públicas trazem uma melhor infraestrutura, uma segurança jurídica e um ambiente mais competitivo e dinâmico para os negócios. Para completar esse ambiente, precisamos entender que a reforma tributária é a única bala de prata que temos para fazer com que o Brasil diminua o custo da sua produção, acabe com a burocracia, torne o setor produtivo mais competitivo e, com isso, melhore a economia, gerando emprego e distribuição de renda.
CNI
Fiep-PB Presidente da FIEPB e industriais visitam o Porto de Cabedelo
FIEP-PB Presidente da FIEPB participa de reunião na Fecomércio para tratar da integração Indústria/Comércio na Paraíba
FIEP-PB Gráfica Marcone completa 44 anos com modernização e foco na Qualidade
FIEPB-PB Pequenas indústrias estão com perspectivas favoráveis, mostra pesquisa da CNI
FIEPB-PB Presidente da FIEPB, Cassiano Pascoal Pereira Neto cumpre agenda na Companhia Siderúrgica Nacional
Paraíba Presidente da FIEPB, Cassiano Pascoal Pereira Neto apresenta demandas da indústria para representantes da Bancada Federal da PB
Jovem Aprendiz No Dia do Jovem Aprendiz IEL – PB celebra o encaminhamento de mais de 4 mil aprendizes para as empresas da PB
FIEPB-PB Presidente da FIEPB, Cassiano Pascoal Pereira Neto participa da 1ª reunião do Conselho Temático de Assuntos Legislativos da CNI
FIEPB-PB Presidente da FIEPB, Cassiano Pereira se reúne com Ricardo Alban, na CNI
Mín. 24° Máx. 30°