
A Paraíba inicia 2026 com um retrato hídrico que exige atenção. Levantamento da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa-PB) aponta que nove açudes estão completamente secos e outros 39 operam em situação crítica, com volume inferior a 10% da capacidade total.
Os reservatórios zerados estão localizados em São Mamede; Desterro (Jeremias); Conceição (Roçado); Teixeira (Sabonete e Bastiana); Gurjão (incluindo Livramento/Russos); São José dos Cordeiros (São José III) e Picuí (Caraibeiras). Todos operam com 0% de armazenamento.
Além deles, outros mananciais apresentam volumes quase inexistentes. É o caso de Taperoá (Lagoa do Meio), com 0,01%, e Caraúbas (Campos), com 9,81%, já no limite da faixa considerada crítica.
A Aesa monitora 136 reservatórios no estado e os classifica em seis categorias: sangrando, favorável, normal, observação, atenção e crítica. O recorte atual mostra um cenário desigual: enquanto algumas barragens estão acima da capacidade, outras enfrentam o pior momento do ciclo hídrico.
Entre os açudes que estão sangrando, ou seja, acima de 100% da capacidade, aparecem Monteiro (São José II, com 100,15%, e Poções, com 102,85%), Araçagi (103,46%) e Mari (106,48%).
Na faixa considerada favorável (entre 77% e 99%), estão 16 reservatórios, como Areia (Saulo Maia), João Pessoa (Marés), Ingá (Chã dos Pereiras), Cacimba de Dentro (Cacimba de Várzea) e Serra da Raiz (Suspiro), que chega a 99,84%.
Outros 13 açudes apresentam situação normal, com volumes entre 50% e 69%, a exemplo de Água Branca (Bom Jesus II), Itatuba (Acauã/Argemiro de Figueiredo), Areial (Covão) e Tavares (Tavares II).
Já na condição de observação, com volumes entre 20% e 50%, estão 36 reservatórios, incluindo Boqueirão (Epitácio Pessoa), com 38,72%; Coremas (Coremas e Mãe d’Água), na casa dos 27%; Sousa (São Gonçalo), com 49,92%; e Cajazeiras (Lagoa do Arroz), com 22,09%.
Na categoria de atenção, que reúne açudes com 10% a 19% da capacidade, aparecem 18 mananciais, entre eles Sumé (10,04%), Campina Grande (José Rodrigues, com 13,53%), Cajazeiras (Engenheiro Avidos, com 17,47%) e Juazeirinho (Mucutu, com 19,39%).
O cenário mais delicado, porém, concentra-se no Sertão e no Cariri, onde se acumulam os reservatórios em situação crítica, muitos com volumes abaixo de 1%, como Patos (Farinha, 0,54%), Soledade (0,75%), Ouro Velho (0,15%), Várzea (0,43%) e Santa Luzia (7,12%).
A situação se agrava com as condições climáticas adversas. O Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta de baixa umidade para 88 municípios do Sertão paraibano, válido até esta quarta-feira (18). A combinação de estiagem prolongada e baixos índices de precipitação pode intensificar o impacto sobre o abastecimento humano e a produção rural.
O mapa hídrico da Paraíba, portanto, começa o ano dividido: de um lado, barragens cheias no Litoral e no Brejo; de outro, reservatórios praticamente vazios no interior. Um contraste que reforça a necessidade de gestão eficiente, uso racional da água e monitoramento constante diante de um clima cada vez mais imprevisível.
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