
A inadimplência empresarial continua pressionando os negócios brasileiros e apresenta números expressivos também na Paraíba. Dados da Serasa Experian mostram que o estado encerrou junho de 2026 com 92.381 empresas inadimplentes, acumulando aproximadamente R$ 1,7 bilhão em dívidas.
Em quantidade de empresas negativadas, a Paraíba aparece na quinta posição entre os estados nordestinos. Quando considerada a dívida média por empresa, porém, sobe para a segunda maior do Nordeste: R$ 18.720,81 por CNPJ inadimplente.
Cada negócio paraibano nessa situação acumulava, em média, 5,6 débitos não pagos.
O quadro se agravou nacionalmente no mês seguinte. Em julho, o Brasil alcançou um novo recorde de 9,2 milhões de empresas inadimplentes, com 67,2 milhões de dívidas negativadas que, juntas, somavam R$ 238,6 bilhões.
As micro e pequenas empresas representam a maior parte desse universo: são aproximadamente 8,7 milhões de CNPJs negativados.
Em média, cada empresa inadimplente brasileira acumulava 7,3 contas negativadas e devia R$ 25.983,88.
A Serasa Experian relaciona a manutenção da inadimplência em níveis elevados a um cenário de condições financeiras ainda restritivas, no qual o acesso ao crédito permanece pressionado.
No recorte paraibano disponível de junho, o cenário ganha relevância pela própria composição da economia estadual. Nacionalmente, o setor de Serviços concentrava 55,7% dos CNPJs negativados, enquanto o Comércio respondia por 32,2%.
Para empresas menores, períodos prolongados de pressão financeira podem transformar decisões rotineiras em escolhas mais difíceis: manter capital de giro, pagar fornecedores, impostos, folha de pessoal e dívidas passa a disputar espaço dentro do mesmo caixa.
O avanço da inadimplência, portanto, vai além de um indicador financeiro. Ele ajuda a explicar um ambiente em que empresas tendem a ficar mais cautelosas com investimentos e expansão, especialmente aquelas com menor capacidade de absorver aumento de custos ou redução das vendas.
A fotografia mais recente mostra que o problema ainda não encontrou seu ponto de inflexão: depois dos 92.381 negócios inadimplentes registrados na Paraíba em junho, o indicador nacional voltou a bater recorde em julho, reforçando o sinal de atenção para o segundo semestre.
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