
A inteligência artificial deverá ocupar o centro das discussões do sistema financeiro brasileiro nesta semana. A partir desta segunda-feira (24), São Paulo recebe o Febraban Tech 2026, reunindo executivos das principais instituições financeiras do país para discutir como IA, automação e novas tecnologias estão transformando os bancos.
Entre os participantes estão lideranças de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Nubank, Santander, Caixa e BTG Pactual, além do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O evento acontece entre os dias 24 e 26 de agosto, no Distrito Anhembi.
O tamanho dos investimentos ajuda a dimensionar essa transformação. Segundo pesquisa da Febraban, os gastos do setor financeiro brasileiro com tecnologia cresceram 58% nos últimos cinco anos e chegaram a R$ 50,4 bilhões em 2026.
Entre as principais prioridades aparecem inteligência artificial generativa e cibersegurança.
Outra informação mostra como a transformação tecnológica já alterou profundamente a relação dos brasileiros com os bancos: 83% das transações bancárias são realizadas atualmente por canais digitais.
O celular assumiu funções que anteriormente exigiam agências, caixas eletrônicos ou atendimento humano. Agora, a próxima etapa envolve ampliar a utilização de agentes inteligentes capazes de executar tarefas, auxiliar clientes, analisar informações e automatizar processos internos.
O próprio tema do Febraban Tech deste ano — “Agentes Inteligentes, liderança humana” — reflete esse movimento.
Além da IA, a programação deverá discutir Open Finance, Drex, stablecoins, computação em nuvem, segurança digital e novas estruturas do sistema financeiro.
A movimentação dos bancos importa para além do setor financeiro porque grandes instituições costumam funcionar como laboratórios de tecnologias que posteriormente chegam a empresas de diferentes portes.
Soluções de inteligência artificial aplicadas hoje a atendimento, produtividade, análise de dados, segurança e automação de operações tendem a se tornar mais acessíveis à medida que a tecnologia amadurece.
A discussão, portanto, começa a mudar de estágio. A pergunta para as empresas deixa gradualmente de ser apenas “vale a pena usar inteligência artificial?” e passa a ser “em quais processos a IA pode gerar ganho real de produtividade, qualidade ou eficiência?”.
Com R$ 50,4 bilhões direcionados à tecnologia e a maior parte das transações já acontecendo digitalmente, o sistema financeiro brasileiro sinaliza que a inteligência artificial começa a deixar o campo experimental para ocupar uma posição cada vez mais estrutural nas operações das grandes empresas.
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