O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode enfrentar um esvaziamento significativo do primeiro escalão do governo com a aproximação da campanha eleitoral. A estimativa é de que cerca de 20 ministros deixem seus cargos para disputar eleições ou atuar diretamente na articulação política nos estados, o que deve alterar a dinâmica da Esplanada dos Ministérios ao longo de 2026.
A orientação de Lula é clara: ministros que são deputados ou senadores licenciados precisam se desincompatibilizar dos cargos para viabilizar candidaturas e fortalecer o apoio eleitoral ao presidente nos estados. Caso todas as saídas se confirmem, o petista pode ficar temporariamente sem parte do chamado “núcleo duro” durante o período mais intenso da campanha.
Um dos movimentos já definidos envolve a ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. Deputada federal licenciada, Gleisi era cotada para a reeleição à Câmara, mas atendeu a um pedido direto de Lula para concorrer ao Senado.
A saída de Gleisi abre uma lacuna na articulação política do governo em plena campanha. Atualmente, a secretaria-executiva da pasta é ocupada por Marcelo Costa, diplomata de perfil técnico. Setores do PT, no entanto, defendem a nomeação de um nome político para comandar a área durante o período eleitoral.
Entre os ministros palacianos, Rui Costa (Casa Civil) também deve deixar o cargo para disputar o Senado, com a possibilidade ainda em aberto de concorrer novamente ao Governo da Bahia. Já Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação, deve se afastar mais adiante, em junho, para coordenar a campanha de Lula à reeleição, repetindo o papel exercido em 2022.
Uma das exceções no Palácio do Planalto deve ser Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, que optou por permanecer no cargo até o fim do mandato, apesar de ter direito a disputar a reeleição como deputado federal por São Paulo.
Fora do núcleo palaciano, ao menos 12 ministros também devem deixar seus cargos. Entre os nomes já confirmados estão Anielle Franco, que disputará uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro; Sonia Guajajara, candidata à reeleição como deputada federal por São Paulo; e Carlos Fávaro, que buscará a reeleição ao Senado por Mato Grosso.
Também já anunciaram saída Jader Filho, que deve disputar a Câmara pelo Pará; André de Paula; Silvio Costa Filho; e Waldez Góes.
Outras movimentações envolvem Simone Tebet, que pode se filiar ao PSB para disputar o Senado por São Paulo, e Marina Silva, que também é cotada para a mesma disputa no estado. Já Geraldo Alckmin deve permanecer como vice na chapa de Lula em 2026.
Ministros como Camilo Santana, Wellington Dias, Alexandre Silveira, André Fufuca e Renan Filho também estão no radar para disputas eleitorais, a depender das definições do presidente.
Por outro lado, ministros de perfil mais técnico devem permanecer no governo durante o período eleitoral, como Mauro Vieira, Ricardo Lewandowski, Esther Dweck, Gustavo Feliciano, Margareth Menezes e José Múcio.
Com a possível debandada, a Esplanada deve entrar em um período de transição e ajustes, enquanto Lula tenta equilibrar a máquina administrativa com as exigências da campanha e da articulação política nacional.