O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira (Palácio da Alvorada) o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para um almoço que teve tom de cobrança política. Lula voltou a pedir que a Casa não vote o projeto que anistia envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, posição que contraria interesses do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados.
Segundo interlocutores, o presidente reforçou que o governo é frontalmente contra a proposta e que ela não deve prosperar no Congresso. A ministra Gleisi Hoffmann participou da conversa.
Além da disputa em torno da anistia, Lula colocou na mesa as prioridades do Planalto para o Legislativo. Entre elas, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. A matéria, porém, ainda não tem previsão para votação.
Outro ponto foi a medida provisória que amplia a isenção nas contas de luz, considerada peça-chave para o governo em ano pré-eleitoral. A MP está prestes a perder validade: se não for votada, voltam a valer as regras anteriores. O texto chegou a entrar na pauta da semana passada, mas foi retirado em meio a tensões provocadas pelo julgamento de Bolsonaro.
O encontro reforça a tentativa do Planalto de garantir a votação antes do prazo final. Como presidente da Câmara, Motta define a pauta do plenário e tem poder para acelerar ou adiar a análise. Nesta terça-feira pela manhã, ele se reúne com líderes partidários para fechar a agenda da semana.
Nos bastidores, cresce a pressão para que Motta leve adiante ainda neste mês a proposta de ampliar a isenção do IR, uma das bandeiras sociais do governo.