O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) projetou que a eleição de 2026 será marcada por forte polarização, sem espaço para uma terceira via na disputa presidencial. A declaração foi feita nesta quinta-feira (28), em entrevista exclusiva à RECORD, onde ele também reafirmou a intenção de concorrer novamente, caso esteja em boas condições físicas e mentais.
“Eu acho que vai ser polarizado. Podem surgir dez times em Minas Gerais, mas o Cruzeiro e o Atlético serão eternamente polarizados. Podem surgir dez times em São Paulo, mas Corinthians e Palmeiras serão a maior polarização, [assim como] Flamengo e Vasco serão a maior polarização, Grêmio e Internacional, Brasil e Argentina”, comparou, usando clássicos do futebol como metáfora da disputa política.
Para Lula, a polarização não deve ser vista como um problema: “É bom, no mundo inteiro a eleição é polarizada. Então vamos disputar. Acho que não haverá espaço para uma terceira via”.
O presidente destacou ainda que sua candidatura depende de sua saúde: “Se eu não tiver, eu não sou candidato. Agora eu quero saber se os outros vão estar melhor do que eu. Porque eu me preparo, me preparo fisicamente, porque gosto de mim”, disse.
Questionado sobre a pulverização de candidaturas da direita, Lula considerou positivo: “Quanto mais eles tiverem candidatos, melhor. Aliás, o Brasil precisa que tenha muito candidato. Não é a primeira eleição que eu disputei com muitos candidatos”.
Lula também avaliou que o Brasil carece de lideranças nacionais, colocando-se ao lado de Getúlio Vargas como uma das poucas referências históricas. Ele lembrou feitos do ex-presidente, como a criação da CLT e do salário mínimo, e citou sua própria atuação em políticas sociais.
Essa não foi a primeira vez que Lula evocou Vargas. Em reunião ministerial nesta semana, chegou a ler um trecho de uma carta do ex-presidente, marcada pelo tom dramático sobre resistência política e pessoal.