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Mais da metade dos lares brasileiros é chefiada por mulheres, aponta pesquisa da FGV
Levantamento revela que 52% das famílias têm mulheres como principais provedoras; maioria enfrenta sobrecarga, desigualdade salarial e informalidade
05/08/2025 05h57
Por: Políticas & Negócios Fonte: Claudete leitão
reprodução Globo

Uma virada silenciosa, mas profunda, está em curso nos lares brasileiros: as mulheres já são maioria como chefes de família. Dados inéditos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base no IBGE e encomendados pelo programa Fantástico, revelam que mais de 41 milhões de domicílios no Brasil são hoje comandados por mulheres — o equivalente a 52 a cada 100 lares.

A análise, conduzida pela pesquisadora Janaína Feijó, traça o perfil dessas mulheres provedoras: em sua maioria pretas ou pardas, com ensino médio completo ou superior incompleto, e vivendo, principalmente, nas regiões metropolitanas do Sudeste. Muitas já acessaram o ensino superior, ainda que nem sempre tenham concluído o curso.

Fatores que impulsionaram essa mudança:

·       Avanço educacional das mulheres, que ampliou sua capacidade de negociação e autonomia;

·       Mudanças no mercado de trabalho, com maior inserção feminina;

·       Programas sociais, que colocaram as mulheres como foco das políticas públicas;

·       Queda da taxa de fecundidade, permitindo maior dedicação ao trabalho e aumento de renda.

Um recorte interessante é o aumento expressivo de mulheres casadas e sem filhos, grupo que passou de quase 2 milhões para mais de 6 milhões em 12 anos, sinalizando uma transformação nos modelos familiares tradicionais.

Avanços com desafios

Apesar do protagonismo crescente, as mulheres chefes de família ainda enfrentam uma realidade dura:

·       Maiores taxas de desemprego;

·       Salários mais baixos mesmo em funções idênticas às dos homens;

·       Presença maior na informalidade;

·       E uma carga desproporcional de responsabilidades domésticas e emocionais.

O estudo mostra que o avanço das mulheres no comando dos lares brasileiros é, sim, um marco social e econômico — mas a equidade plena ainda está longe de ser realidade.