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Por que Bolsonaro foi para prisão domiciliar e o que ele está proibido de fazer
Alexandre de Moraes cita descumprimento de medidas cautelares e uso indireto das redes sociais para justificar decisão
05/08/2025 05h44
Por: Políticas & Negócios Fonte: Claudete Leitão
(Foto: Wilton Junior / Estadão Conteúdo)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (4) que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpra prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. A decisão foi motivada pelo descumprimento de medidas cautelares já impostas e por novas ações consideradas como ameaças ao Judiciário e tentativa de burlar a Justiça.

Segundo Moraes, vídeos e conteúdos divulgados nas redes sociais dos filhos de Bolsonaro — especialmente nas páginas de Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro — reproduziam falas e ideias do próprio ex-presidente, incluindo ataques ao STF, defesa de intervenção estrangeira e discursos que colocam em xeque o sistema democrático brasileiro.

O que motivou a prisão domiciliar:

·       Descumprimento de medidas cautelares anteriores.

·       Divulgação de conteúdos considerados ameaçadores ao Judiciário, ainda que por meio de terceiros.

·       Tentativa de comunicação indireta com o público, usando redes sociais alheias para se manifestar.

·       Suspeita de obstrução de justiça e coação institucional.

O que Bolsonaro está proibido de fazer:

·       Receber visitas, exceto de advogados.

·       Usar celular, computador ou qualquer meio de comunicação.

·       Acessar redes sociais, mesmo que indiretamente.

·       Se comunicar com outros investigados ou autoridades estrangeiras.

A decisão de Moraes tem tom duro: o ministro afirmou que a atuação de Bolsonaro demonstra “intenção clara de subverter as investigações” e alertou que, caso novas infrações sejam detectadas, a prisão preventiva será decretada.

“A Justiça é cega, mas não é tola”, escreveu Moraes no despacho.

Com isso, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico e com liberdades severamente limitadas. O STF considera o comportamento do ex-presidente uma ameaça persistente ao Estado Democrático de Direito.