A temperatura subiu nos bastidores da política paraibana. O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino (Republicanos), classificou como “forte e preocupante” a fala do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) contra o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), e avisou: "vai ter consequências dentro da base do governador João Azevêdo (PSB)".
A declaração de Galdino foi feita em entrevista ao Programa Hora H, da Rádio POP FM 89.3, nesta segunda-feira (29). Ele criticou o tom adotado por Aguinaldo, que acusou Cícero de “traição” por manter diálogos com partidos de oposição e fazer movimentações consideradas “extrapartidárias”.
“Foi uma fala muito forte e que divide. Prejudica a unidade da base. Não ajuda. Exclui. Eu confesso que fiquei preocupado. Espero que o bom senso e o equilíbrio voltem, para que possamos retomar o diálogo e definir juntos o melhor caminho para 2026”, disse Galdino.
O presidente da Assembleia revelou ainda que conversou diretamente com Cícero Lucena após a polêmica:
“Cícero me ligou ontem à noite e eu pedi que ele tivesse tranquilidade. Que refletisse com calma, com sua família, com seus aliados. Não é momento de reagir no impulso. A entrevista de Aguinaldo foi dura, mas é preciso maturidade para não causar rupturas desnecessárias”, aconselhou.
A origem do atrito está no acordo firmado entre Galdino e Cícero, que prevê apoio recíproco para as eleições de 2026, com base em pesquisas de intenção de voto. Aguinaldo considerou esse movimento “incongruente” e ficou incomodado com o que vê como flerte do prefeito com setores adversários.
Galdino evitou acirrar ainda mais a crise, mas foi direto ao ponto:
“Se a gente quiser manter o grupo unido, é preciso diálogo e critérios claros. E isso só se constrói com respeito e articulação política, não com ataque público aos próprios aliados.”
A fala de Aguinaldo escancarou o mal-estar dentro da base do governador João Azevêdo, que tenta manter coesão rumo ao próximo pleito. Nos bastidores, há quem veja na fala do deputado um sinal de distanciamento e de disputa interna precoce pelo protagonismo político em 2026.
A crise está no ar — e Galdino já mandou o recado: se não houver cautela, a rachadura pode virar rompimento.