O Brasil assumirá nesta quinta-feira (3) a presidência temporária do Mercosul durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, que será realizada em Buenos Aires, Argentina. O principal desafio no novo ciclo será destravar a assinatura do acordo comercial com a União Europeia, que se arrasta há anos e enfrenta resistência de países europeus, especialmente da França.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará presente no evento e receberá o cargo das mãos do governo argentino, encerrando o mandato pro tempore do país vizinho. A expectativa do Itamaraty é que a presidência brasileira traga novo fôlego às negociações com a UE, além de reforçar o protagonismo regional do Brasil.
A secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gisela Padovan, afirmou que o acordo com a União Europeia está tecnicamente pronto, aguardando apenas a finalização da tradução em 27 idiomas e aprovação pelas instâncias políticas europeias.
“Lula tem atuado pessoalmente nas negociações, inclusive com o presidente francês Emmanuel Macron. A prioridade é concluir esse acordo histórico, que pode fortalecer a presença do Mercosul no cenário internacional”, disse a embaixadora.
No entanto, a oposição francesa continua sendo um entrave. Macron tem argumentado que o tratado precisa de cláusulas ambientais mais rigorosas — conhecidas como "cláusulas espelho" — para evitar que produtos estrangeiros entrem no mercado europeu sem seguir os mesmos padrões de sustentabilidade exigidos dos agricultores locais.
Durante sua gestão no Mercosul, o Brasil pretende focar em pontos como:
· Reforço da Tarifa Externa Comum (TEC), ajustando regras para tornar o comércio mais eficiente.
· Inclusão dos setores automotivo e açucareiro no regime comum de tarifas do bloco.
· Ampliação da Lista de Exceções à TEC (Letec), com novos códigos.
· Cooperação em segurança pública, com troca de dados e ações integradas.
· Aprimoramento de mecanismos de financiamento de infraestrutura e desenvolvimento regional.
Segundo dados do governo, entre janeiro e maio de 2025, o intercâmbio comercial entre os países do Mercosul chegou a US$ 17,5 bilhões. O Brasil exportou US$ 10,2 bilhões e importou US$ 7,2 bilhões, acumulando um superávit de US$ 3 bilhões. Os principais produtos comercializados incluem veículos, peças automotivas, trigo, energia elétrica e minérios.
Fundado em 1991, o Mercosul é um bloco de integração econômica e política formado originalmente por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Nos anos seguintes, passou a contar com países associados e, mais recentemente, com a entrada formal da Bolívia como membro pleno em 2024.
Com a presidência rotativa em mãos, o Brasil terá a missão de fortalecer o bloco, ampliar sua relevância global e, principalmente, concluir o acordo com a União Europeia — uma meta ambiciosa que pode definir os rumos do comércio sul-americano nos próximos anos.