O protesto “Justiça Já”, convocado pelo pastor Silas Malafaia neste domingo (29), na Avenida Paulista, em São Paulo, teve público bem inferior ao esperado. Segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, o pico de participação foi de 12,4 mil pessoas — número considerado modesto para a proporção do evento e o nível de mobilização pretendido.
A manifestação teve como foco principal a defesa da anistia para os condenados e investigados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, além de críticas pesadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura a tentativa de golpe associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seu entorno.
Silas Malafaia minimizou a baixa adesão ao ato. “O número de pessoas é o que menos importa. O essencial é a mensagem que estamos passando”, declarou ao UOL, tentando deslocar o foco do esvaziamento para o conteúdo político do evento.
Mesmo com a presença de quatro governadores bolsonaristas — Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ) e Jorginho Mello (SC) —, a mobilização não empolgou a base conservadora como em eventos anteriores. Ainda assim, os organizadores destacaram que a principal intenção era mostrar resistência política diante do avanço das investigações judiciais contra lideranças da direita.
O ato ocorre em meio a tentativas no Congresso para emplacar projetos de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos, reforçando a narrativa de perseguição e vitimização adotada por setores ligados ao bolsonarismo.