O Partido Liberal adiou para o dia 11 de novembro a decisão sobre um eventual apoio à reeleição do deputado paraibano Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. O tema foi discutido durante uma reunião de lideranças realizada na noite desta terça-feira (3), em Brasília, mas as diferentes alas da legenda não chegaram a um entendimento.
O novo encontro contará com a participação dos 32 deputados eleitos pelo partido para a legislatura que começa em 2027. A intenção da direção é ouvir os atuais e futuros integrantes da bancada antes de definir se o PL apoiará Motta ou adotará outra estratégia na eleição interna, prevista para fevereiro.
Com 121 deputados, o PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. Apesar desse tamanho, dirigentes avaliam que a sigla poderá perder espaço no comando das comissões permanentes caso permaneça isolada dos principais blocos parlamentares.
A distribuição das presidências das comissões segue a proporcionalidade partidária dos blocos formados no início da legislatura. Por isso, a decisão envolve não apenas a presidência da Câmara, mas também o controle de colegiados estratégicos, como a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Uma ala próxima ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, defende um acordo com Hugo Motta para garantir espaço na Mesa Diretora e nas comissões. Outro grupo, formado por parlamentares mais identificados com a oposição ao governo federal, rejeita o apoio por considerar que o atual presidente da Câmara se aproximou politicamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos interessados em assumir a presidência da CCJ, afirmou que prefere abrir mão do posto a apoiar a recondução de Motta.
Após a reunião, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), informou que ainda não havia uma posição majoritária na bancada. Segundo ele, a decisão será tomada pelos parlamentares e respeitada pela direção nacional do partido.
Enquanto adia a definição na Câmara, o PL deve oficializar nesta quarta-feira (4) a candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado.
Hugo Motta já recebeu o apoio de 15 partidos e possui, neste momento, uma base considerada suficiente para conquistar a reeleição. Entre os apoiadores está a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
A possível entrada do PL no mesmo bloco, entretanto, enfrenta resistência de setores petistas. Lideranças do PT chegaram a sinalizar que poderão rever sua participação caso o partido de Valdemar Costa Neto seja incorporado à composição.
Mesmo com os apoios anunciados, a escolha do presidente depende da votação dos deputados no início da nova legislatura. Portanto, os acordos partidários não substituem a eleição interna da Câmara.