Brasil Politica
Após reeleição, Lula promete ampliar regulamentação das plataformas digitais no Brasil
Em discurso de vitória, presidente defendeu maior responsabilização das empresas de tecnologia e anunciou intenção de fortalecer a comunicação digital do governo
26/10/2026 10h28
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite deste domingo (25), que pretende ampliar a regulamentação das grandes plataformas digitais durante seu próximo mandato, que terá início em janeiro de 2027.

A declaração foi feita no primeiro pronunciamento após a confirmação de sua vitória no segundo turno presidencial, em uma campanha marcada por disputas sobre o funcionamento das redes sociais, a circulação de conteúdos políticos e a utilização de ferramentas digitais.

Lula criticou o que classificou como interferência de empresas estrangeiras no processo eleitoral brasileiro e defendeu regras mais claras para a atuação das plataformas no país.

Responsabilidade das plataformas entra na agenda

Durante o pronunciamento, Lula afirmou que condutas criminosas praticadas no ambiente digital devem receber tratamento equivalente ao aplicado fora da internet.

O presidente também questionou o poder econômico das grandes empresas de tecnologia e sua influência na circulação de informações políticas.

As declarações indicam que a regulamentação das plataformas poderá ocupar espaço importante na agenda do próximo governo, especialmente em discussões sobre transparência, responsabilização e combate à disseminação de conteúdos ilícitos.

Entretanto, as críticas apresentadas pelo presidente não representam, por si só, comprovação de interferência irregular das empresas no resultado eleitoral.

Comunicação digital deverá ganhar mais espaço

Lula também sinalizou a intenção de fortalecer os canais de comunicação direta entre o governo e a população.

Durante a campanha, a mobilização digital teve papel relevante nas estratégias dos candidatos, com utilização de vídeos, redes sociais e canais de transmissão de mensagens.

Um dos exemplos foi o canal Exército do Lula, coordenado pelo deputado federal André Janones, que ultrapassou 10 milhões de participantes e esteve envolvido em discussões judiciais sobre comunicação eleitoral.

O que pode mudar para profissionais de comunicação?

Uma eventual ampliação da regulamentação poderá envolver debates sobre publicidade digital, identificação de anunciantes, inteligência artificial, transparência de algoritmos e procedimentos de moderação de conteúdo.

Para profissionais de marketing e comunicação, as possíveis mudanças exigirão acompanhamento das propostas que forem apresentadas ao Congresso Nacional e das decisões dos órgãos reguladores.

Até o momento, porém, não foi anunciada uma nova regra geral para o funcionamento do Instagram, Facebook ou WhatsApp em decorrência do discurso presidencial.

A implementação de mudanças dependerá da apresentação de propostas concretas, da definição de competências e, quando necessário, da tramitação legislativa.

A discussão deverá ganhar relevância nos próximos meses, diante da crescente influência das plataformas digitais na comunicação política, na publicidade e no acesso à informação.