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TSE cobra explicações da Meta após campanha de Lula denunciar restrições no alcance de publicações
Empresa responsável por Instagram e Facebook tem prazo de 48 horas para prestar esclarecimentos; suspeitas sobre distribuição de conteúdos eleitorais ainda dependem de apuração
13/10/2026 05h45
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O funcionamento dos algoritmos das redes sociais entrou no centro de uma disputa judicial durante o segundo turno das Eleições 2026. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, apresente esclarecimentos sobre possíveis restrições à distribuição de conteúdos publicados pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A determinação foi proferida no sábado (10), após representantes da campanha presidencial denunciarem uma suposta interferência na circulação de publicações eleitorais.

A equipe do presidente sustenta que alterações no alcance de conteúdos e dificuldades operacionais teriam prejudicado sua comunicação digital. A Meta, por sua vez, atribuiu os problemas relatados a questões técnicas e afirmou seu compromisso com o tratamento isonômico das candidaturas.

O que o TSE quer esclarecer?

Na decisão, o ministro Marco Aurélio Bellizze concedeu prazo de 48 horas para que a empresa apresente informações sobre o funcionamento de seus sistemas e eventuais restrições aplicadas às publicações investigadas.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão possíveis limitações na distribuição de conteúdos, exclusões dos sistemas de recomendação e eventuais bloqueios geográficos.

A análise envolve mecanismos que não são inteiramente visíveis aos usuários, como critérios de recomendação, moderação e distribuição de publicações.

Alcance de vídeos motivou questionamentos

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a campanha de Lula passou a questionar o funcionamento da plataforma depois de observar alterações no desempenho de vídeos publicados em um novo formato de comunicação.

A equipe eleitoral afirmou ter registrado um crescimento expressivo nas visualizações de conteúdos em formato de selfie, seguido por mudanças na distribuição das publicações.

A campanha interpreta os episódios como indícios de possível tratamento desigual, mas essa interpretação ainda não foi comprovada por análise técnica independente ou decisão conclusiva da Justiça Eleitoral.

Discussão ultrapassa a disputa eleitoral

O episódio também chama atenção para a dependência de campanhas, empresas e profissionais de comunicação em relação às plataformas digitais.

O alcance de uma publicação pode variar por diversos fatores, incluindo comportamento do público, características do conteúdo, políticas de recomendação e problemas operacionais.

Por isso, uma redução de visualizações, isoladamente, não demonstra manipulação deliberada de algoritmos. Para esclarecer uma suspeita dessa natureza, é necessário examinar registros técnicos, critérios aplicados e eventuais diferenças de tratamento.

Para profissionais que administram anúncios e perfis comerciais, o caso evidencia a importância de preservar comprovantes de impulsionamento, registros de falhas, notificações das plataformas e históricos de desempenho.

A resposta da Meta e a avaliação dos dados solicitados pelo TSE serão etapas relevantes para esclarecer as acusações apresentadas pela campanha.