A Paraíba registrou 1.198 mortes por diabetes mellitus entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB). O número equivale a uma média de aproximadamente cinco mortes por dia nos primeiros oito meses do ano.
O levantamento realizado pelo g1 aponta crescimento de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 1.129 óbitos. Em números absolutos, foram 69 mortes a mais — embora algumas publicações tenham informado, incorretamente, uma diferença de 61. Em 2024, entre janeiro e agosto, o estado havia registrado 1.220 mortes.
Os dados da SES-PB mostram que, entre janeiro e agosto deste ano, 607 mortes foram relacionadas ao diabetes tipo 2, enquanto 136 tiveram relação com o diabetes tipo 1. Os demais registros estão distribuídos entre outras classificações da doença ou casos sem especificação de tipo.
Um segundo levantamento, desta vez do Painel de Monitoramento da Mortalidade CID-10 do Ministério da Saúde, apresenta um recorte mais detalhado, porém referente apenas ao período de janeiro a maio de 2026. Nesse intervalo, foram contabilizadas 660 mortes por diabetes na Paraíba. Entre os casos classificados por tipo, 310 eram de diabetes tipo 2 e 77 de tipo 1.
O endocrinologista Mário Coutinho explicou à reportagem que o tipo 2 representa mais de 90% dos diagnósticos de diabetes e pode permanecer durante anos sem sintomas evidentes. Nesse período, níveis elevados de glicose podem provocar progressivamente danos aos vasos sanguíneos e aumentar o risco de complicações.
O recorte do Ministério da Saúde de janeiro a maio também mostra uma concentração dos óbitos nas faixas etárias mais elevadas. Foram 141 mortes entre pessoas de 60 a 69 anos, 183 entre 70 e 79 anos e 212 entre pessoas com 80 anos ou mais.
No mesmo período, foram contabilizados 74 óbitos entre pessoas de 50 a 59 anos, 38 entre 40 e 49 anos, oito entre 30 e 39 anos, três entre 20 e 29 anos e um entre 10 e 14 anos. Entre as 660 vítimas registradas nesse recorte, 351 eram mulheres e 309 homens.
Geograficamente, a Macrorregião 1, que inclui João Pessoa, concentrou 355 mortes. A área formada por Agreste, Borborema e Cariri registrou 196, enquanto Sertão e Alto Sertão contabilizaram 109.
O diabetes ocorre quando o organismo não consegue controlar adequadamente os níveis de glicose no sangue. No tipo 1, há destruição das células responsáveis pela produção de insulina. No tipo 2, o organismo desenvolve resistência à ação desse hormônio e, ao longo do tempo, pode não conseguir compensar essa dificuldade.
Quando não diagnosticada ou controlada adequadamente, a doença pode estar associada a complicações cardiovasculares, renais, oftalmológicas e infecciosas. Entre possíveis sinais de glicose muito elevada estão sede excessiva, aumento da frequência urinária, perda de peso sem explicação, cansaço, visão turva e dificuldade de cicatrização.
O acompanhamento preventivo ganha importância justamente porque o diabetes tipo 2 pode permanecer assintomático por bastante tempo. Exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada, quando indicados por profissionais de saúde, auxiliam na identificação da doença antes do aparecimento de complicações.
Os números de 2026 ainda devem ser tratados como dados sujeitos a atualização e consolidação. O Ministério da Saúde explica que as informações de mortalidade passam por etapas de qualificação antes da divulgação definitiva.