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Desemprego cai, mas custo de vida mantém percepção negativa sobre economia entre brasileiros
Quaest mostra 49% dizendo que economia piorou no último ano, enquanto endividamento e preços acumulados ajudam a explicar distância entre indicadores e sensação das famílias
27/09/2026 19h06
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O Brasil chega à reta final de 2026 convivendo com um aparente contraste: o mercado de trabalho registra desemprego em níveis historicamente baixos, mas uma parcela significativa da população ainda avalia negativamente a própria realidade econômica.

Pesquisa Quaest citada em análise publicada pela Reuters mostra que 49% dos brasileiros afirmam que a economia piorou no último ano, enquanto 19% consideram que houve melhora. 

O resultado ocorre mesmo diante de indicadores favoráveis no mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho, menor patamar para o período desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. A população ocupada chegou ao recorde de 103,3 milhões. 

Inflação menor não significa retorno aos preços antigos

Uma das explicações está no comportamento acumulado dos preços. A inflação dos alimentos desacelerou e houve recuo de preços entre junho e agosto, mas anos anteriores de aumentos continuam incorporados aos valores encontrados nas prateleiras. 

Ou seja: quando a inflação diminui, normalmente significa que os preços estão aumentando mais lentamente, e não necessariamente que retornaram aos patamares anteriores.

Outro fator é o endividamento. O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas, desconsiderando financiamento imobiliário, chegou ao recorde de 26,6% em junho, segundo dados do Banco Central citados pela Reuters. 

A taxa básica de juros também continua elevada. Após a redução promovida pelo Banco Central em setembro, a Selic está em 13,75% ao ano, mantendo o crédito caro apesar do início do ciclo de cortes. Economistas consultados pelo Focus passaram a projetar 13,50% para o encerramento de 2026. 

Economia também ocupa espaço central na eleição

Os dois principais candidatos à Presidência têm utilizado aspectos diferentes desses indicadores durante a campanha. Lula destaca o mercado de trabalho aquecido, a redução recente da inflação e outros indicadores sociais; Flávio Bolsonaro concentra parte de sua comunicação no custo dos alimentos e na perda de poder de compra percebida pelas famílias. 

São interpretações políticas distintas sobre uma realidade econômica que possui sinais simultaneamente positivos e negativos.

Para empresas voltadas ao consumidor, o cenário deixa uma mensagem importante: melhora dos indicadores macroeconômicos não significa automaticamente maior sensação de disponibilidade financeira.

Com uma parcela elevada da renda comprometida por dívidas e consumidores ainda sentindo os efeitos acumulados dos preços, fatores como preço, promoção, parcelamento e percepção de custo-benefício continuam tendo peso importante nas decisões de consumo.