Brasil Economia
Confiança da indústria cai em setembro e completa 21 meses abaixo da linha de confiança
Índice da CNI recuou para 44,9 pontos; resultado contrasta com início da redução da Selic e indica cautela entre empresários
17/09/2026 10h38
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

A confiança dos empresários industriais brasileiros voltou a cair em setembro. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) recuou 1,4 ponto, passando de 46,3 pontos em agosto para 44,9 pontos neste mês, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

Com o resultado, o indicador permanece abaixo dos 50 pontos pelo 21º mês consecutivo. Pela metodologia da CNI, resultados abaixo dessa linha indicam falta de confiança entre os empresários consultados. É o período mais prolongado nessa condição desde 2015 e 2016. 

A pesquisa ouviu 1.186 empresas entre 1º e 8 de setembro, sendo 475 pequenas, 441 médias e 270 grandes. 

Piora atingiu condições atuais e expectativas

A redução não ficou concentrada em apenas um componente.

O Índice de Condições Atuais caiu 2,5 pontos, de 42,7 para 40,2. Dentro desse grupo, a percepção dos empresários sobre a economia brasileira apresentou uma das maiores deteriorações: passou de 36,6 para 33 pontos. 

A avaliação das condições das próprias empresas também piorou, passando de 45,7 para 43,8 pontos.

Já o Índice de Expectativas recuou de 48,1 para 47,2 pontos. As expectativas sobre a economia brasileira passaram de 39,7 para 39,1, enquanto as perspectivas relacionadas às próprias empresas diminuíram de 52,3 para 51,3 pontos. 

Corte da Selic ainda levará tempo para chegar às empresas

O levantamento foi realizado antes da decisão do Copom desta quarta-feira (16), que reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. Apesar do início da flexibilização monetária, a taxa básica continua elevada e os efeitos dos cortes tendem a chegar gradualmente ao custo efetivo do crédito e às decisões de investimento. 

Segundo a CNI, um período prolongado de baixa confiança pode influenciar decisões relacionadas a produção, contratação de funcionários e novos investimentos. 

Os dois indicadores, portanto, não são contraditórios: os juros começaram a cair, mas isso não significa que as condições financeiras já tenham se tornado favoráveis para a indústria. A evolução da confiança nos próximos meses ajudará a mostrar se a sequência de reduções da Selic será suficiente para alterar gradualmente as expectativas do setor.