Política Tecnologia
Quase dois em cada três conteúdos políticos com IA analisados não identificaram uso da tecnologia
Levantamento do Observatório IA nas Eleições mapeou 413 conteúdos entre janeiro e agosto; 80% dos casos envolveram deepfakes
16/09/2026 08h11
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

Um levantamento do Observatório IA nas Eleições, iniciativa desenvolvida pelo Aláfia Lab e pela Data Privacy Brasil, identificou problemas de transparência no uso de inteligência artificial em conteúdos políticos publicados nas redes sociais durante o período pré-eleitoral de 2026.

Foram mapeados 413 casos de utilização de IA entre janeiro e 16 de agosto. Segundo o estudo, quase dois em cada três conteúdos analisados não apresentavam sinalização sobre o uso da tecnologia, apesar das regras de transparência estabelecidas pela Justiça Eleitoral para conteúdos sintéticos. 

Sátira representa 60% dos conteúdos analisados

Dos 413 conteúdos identificados, 250, aproximadamente 60%, foram classificados como sátira, enquanto outros 163, cerca de 40%, foram enquadrados pelo levantamento como desinformação. 

Outro dado chama atenção: 80% dos casos mapeados envolveram deepfakes, segundo o relatório do observatório. 

O estudo também encontrou concentração de ocorrências envolvendo Flávio Bolsonaro e contas relacionadas ao PL. Esse resultado descreve o universo monitorado pelo observatório e não significa, por si só, que todos os conteúdos tenham sido produzidos, autorizados ou publicados diretamente pelas respectivas campanhas. 

IA exige atenção redobrada das equipes de comunicação

As regras eleitorais de 2026 estabeleceram exigências de transparência para determinados conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial e restrições específicas para manipulações envolvendo pessoas reais.

Isso transforma a utilização da tecnologia em uma questão que vai além da criatividade. Para equipes de comunicação política, identificar corretamente o emprego de IA antes da publicação passa a fazer parte do processo de conformidade do conteúdo.

Na prática, materiais que utilizem geração ou manipulação sintética devem ser avaliados considerando o tipo de IA empregada, a necessidade de rotulagem, a eventual representação de pessoas reais e as regras específicas aplicáveis ao período eleitoral.

O levantamento mostra também como a popularização das ferramentas generativas está alterando a comunicação eleitoral de 2026. Se a IA tornou mais simples produzir imagens, vídeos e áudios em grande escala, o mesmo avanço tornou transparência, identificação e verificação do conteúdo etapas cada vez mais importantes antes de uma publicação chegar às redes sociais.