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Levantamento identifica ao menos 37 conteúdos com IA publicados por candidatos sem aviso ao eleitor
Observatório Lupa analisou centenas de publicações suspeitas; regras eleitorais exigem transparência no uso de conteúdo sintético em propaganda
14/09/2026 03h24
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O avanço da inteligência artificial já se tornou também um desafio para a fiscalização das Eleições 2026. Levantamento do Observatório Lupa identificou pelo menos 37 conteúdos produzidos com inteligência artificial publicados em contas oficiais de candidatos sem indicação de que havia manipulação digital. 

O dado chama atenção porque não se trata apenas de conteúdos publicados por perfis anônimos. São materiais encontrados em canais ligados oficialmente a participantes da disputa eleitoral.

A análise partiu de 314 conteúdos considerados suspeitos, coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagens. Após a verificação, foi constatada utilização de inteligência artificial em 282 deles. 

Deepfakes estão entre os conteúdos identificados

Segundo o levantamento, grande parte dos materiais utilizava técnicas de deepfake ou outras formas de geração artificial capazes de reproduzir ou modificar aparência, voz e identidade de pessoas reais. 

O problema ganha outra dimensão quando esse tipo de recurso aparece dentro da comunicação eleitoral.

As regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para 2026 determinam obrigações de transparência para determinados usos de inteligência artificial e impõem restrições mais severas a manipulações envolvendo candidatos e pessoas reais.

Isso significa que utilizar IA deixou de ser apenas uma escolha técnica da equipe responsável pela produção da peça.

IA exige atenção das equipes de comunicação

Para profissionais de marketing e social media político, a mudança é especialmente relevante.

Uma imagem pode ser visualmente convincente, um vídeo pode apresentar grande potencial de engajamento e uma peça pode funcionar perfeitamente do ponto de vista criativo. Ainda assim, a publicação pode criar um problema eleitoral se o conteúdo sintético não estiver adequadamente identificado ou se utilizar técnicas proibidas pela regulamentação.

O levantamento mostra, portanto, que a inteligência artificial já não pode ser tratada pelas campanhas apenas como ferramenta de produtividade ou criação.

Durante uma eleição, saber como a peça foi produzida, quem ou o que ela representa e quais informações precisam acompanhar sua publicação passa a fazer parte do próprio planejamento jurídico e comunicacional.