Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal na Paraíba iniciaram, nesta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada após os trabalhadores rejeitarem as propostas apresentadas pelas duas instituições durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma virtual pelo Sindicato dos Bancários da Paraíba (Sintrafi-PB) nos dias 3 e 4 de setembro.
Entre os funcionários do Banco do Brasil, 77,38% rejeitaram a proposta apresentada pela instituição. Na votação sobre os próximos passos da mobilização, 57,65% foram favoráveis à greve, enquanto 35,92% defenderam a retomada das negociações.
Na Caixa, a rejeição foi ainda maior: 93,58% dos participantes votaram contra a proposta e 65,18% decidiram pela paralisação.
Um dos principais pontos de divergência entre os trabalhadores e as duas instituições envolve os modelos de financiamento dos planos de saúde.
No Banco do Brasil, representantes da categoria avaliam que o aporte oferecido pela instituição não resolve os problemas relacionados à sustentabilidade da Cassi, responsável pela assistência à saúde dos funcionários.
A proposta do banco prevê um aporte de R$ 360 milhões, mas foi rejeitada pela maioria das bases sindicais que não consideraram a solução suficiente para o financiamento do plano.
Na Caixa, o Saúde Caixa também ocupa posição central nas negociações. Os trabalhadores contestam mudanças que podem aumentar os valores pagos por funcionários da ativa, aposentados e dependentes. Mais de 90 bases sindicais pelo país aprovaram a greve da instituição.
No caso do Banco do Brasil, a paralisação não ocorre de maneira uniforme em todo o país: enquanto algumas bases rejeitaram a proposta e aderiram ao movimento, outras aprovaram o acordo. Na Paraíba, os trabalhadores decidiram pela greve.
A decisão dos funcionários do BB e da Caixa contrasta com a votação realizada por trabalhadores de outras instituições na Paraíba.
Segundo o Sintrafi-PB, 74,94% dos funcionários dos bancos privados aprovaram a proposta da Fenaban. No Banco do Nordeste, a aprovação chegou a 63,70%, enquanto no Banco de Brasília (BRB) alcançou 89,29%.
Para os bancários de instituições privadas, a negociação nacional garantiu reajuste com ganho real de 0,6% acima da inflação, além de avanços relacionados a direitos sociais e saúde mental.
O presidente do Sintrafi-PB, Lindonjhonson Almeida, afirmou que a paralisação foi adotada depois que as propostas apresentadas pelo BB e pela Caixa foram consideradas insuficientes pelos trabalhadores.
Com a greve, o atendimento presencial pode ser afetado de maneira diferente em cada agência, de acordo com a adesão dos funcionários ao movimento.
Aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e outros canais digitais continuam sendo alternativas para operações que não dependam do atendimento presencial. Clientes da Caixa também podem utilizar serviços disponíveis na rede lotérica.
A paralisação não significa, porém, que prazos de contas e boletos sejam automaticamente prorrogados. Por isso, clientes devem procurar os canais disponíveis para evitar atrasos em pagamentos.
Apesar da paralisação por tempo indeterminado, as negociações continuam.
A Caixa apresentou uma nova proposta nesta sexta-feira (11), incluindo alterações relacionadas ao Saúde Caixa, bônus de R$ 3 mil por funcionário e antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados. A instituição tenta chegar a um acordo que permita encerrar a greve.
No Banco do Brasil, novas propostas também estão sendo avaliadas pelas bases sindicais que aderiram ao movimento.
Na Paraíba, portanto, a continuidade da paralisação dependerá das próximas rodadas de negociação e das decisões dos próprios trabalhadores em assembleia. Enquanto não houver acordo, a greve permanece e pode continuar afetando o atendimento presencial nas agências do Banco do Brasil e da Caixa em diferentes municípios do estado.