Paraíba Greve
Bancários do Banco do Brasil e da Caixa entram em greve por tempo indeterminado na Paraíba
Paralisação começou nesta quinta-feira após rejeição das propostas apresentadas pelas instituições; planos de saúde estão entre os principais pontos de impasse
11/09/2026 01h43
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão
Foto: Internet/divulgação

Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal na Paraíba iniciaram, nesta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada após os trabalhadores rejeitarem as propostas apresentadas pelas duas instituições durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026. 

A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma virtual pelo Sindicato dos Bancários da Paraíba (Sintrafi-PB) nos dias 3 e 4 de setembro.

Entre os funcionários do Banco do Brasil, 77,38% rejeitaram a proposta apresentada pela instituição. Na votação sobre os próximos passos da mobilização, 57,65% foram favoráveis à greve, enquanto 35,92% defenderam a retomada das negociações.

Na Caixa, a rejeição foi ainda maior: 93,58% dos participantes votaram contra a proposta e 65,18% decidiram pela paralisação. 

Planos de saúde estão no centro do impasse

Um dos principais pontos de divergência entre os trabalhadores e as duas instituições envolve os modelos de financiamento dos planos de saúde.

No Banco do Brasil, representantes da categoria avaliam que o aporte oferecido pela instituição não resolve os problemas relacionados à sustentabilidade da Cassi, responsável pela assistência à saúde dos funcionários.

A proposta do banco prevê um aporte de R$ 360 milhões, mas foi rejeitada pela maioria das bases sindicais que não consideraram a solução suficiente para o financiamento do plano. 

Na Caixa, o Saúde Caixa também ocupa posição central nas negociações. Os trabalhadores contestam mudanças que podem aumentar os valores pagos por funcionários da ativa, aposentados e dependentes. Mais de 90 bases sindicais pelo país aprovaram a greve da instituição. 

No caso do Banco do Brasil, a paralisação não ocorre de maneira uniforme em todo o país: enquanto algumas bases rejeitaram a proposta e aderiram ao movimento, outras aprovaram o acordo. Na Paraíba, os trabalhadores decidiram pela greve.

Outros bancos aceitaram propostas

A decisão dos funcionários do BB e da Caixa contrasta com a votação realizada por trabalhadores de outras instituições na Paraíba.

Segundo o Sintrafi-PB, 74,94% dos funcionários dos bancos privados aprovaram a proposta da Fenaban. No Banco do Nordeste, a aprovação chegou a 63,70%, enquanto no Banco de Brasília (BRB) alcançou 89,29%. 

Para os bancários de instituições privadas, a negociação nacional garantiu reajuste com ganho real de 0,6% acima da inflação, além de avanços relacionados a direitos sociais e saúde mental. 

O presidente do Sintrafi-PB, Lindonjhonson Almeida, afirmou que a paralisação foi adotada depois que as propostas apresentadas pelo BB e pela Caixa foram consideradas insuficientes pelos trabalhadores.

Como ficam os serviços para os clientes?

Com a greve, o atendimento presencial pode ser afetado de maneira diferente em cada agência, de acordo com a adesão dos funcionários ao movimento. 

Aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos e outros canais digitais continuam sendo alternativas para operações que não dependam do atendimento presencial. Clientes da Caixa também podem utilizar serviços disponíveis na rede lotérica. 

A paralisação não significa, porém, que prazos de contas e boletos sejam automaticamente prorrogados. Por isso, clientes devem procurar os canais disponíveis para evitar atrasos em pagamentos. 

Greve segue enquanto negociações continuam

Apesar da paralisação por tempo indeterminado, as negociações continuam.

A Caixa apresentou uma nova proposta nesta sexta-feira (11), incluindo alterações relacionadas ao Saúde Caixa, bônus de R$ 3 mil por funcionário e antecipação do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados. A instituição tenta chegar a um acordo que permita encerrar a greve. 

No Banco do Brasil, novas propostas também estão sendo avaliadas pelas bases sindicais que aderiram ao movimento.

Na Paraíba, portanto, a continuidade da paralisação dependerá das próximas rodadas de negociação e das decisões dos próprios trabalhadores em assembleia. Enquanto não houver acordo, a greve permanece e pode continuar afetando o atendimento presencial nas agências do Banco do Brasil e da Caixa em diferentes municípios do estado.