O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, interveio na disputa envolvendo ministros da própria Corte e o comando da Polícia Federal. A decisão suspendeu os efeitos de determinações conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino e, na prática, manteve Andrei Rodrigues na direção-geral da PF.
O conflito ganhou força após Mendonça determinar o afastamento de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. No dia seguinte, Dino decidiu reintegrar os dois dirigentes.
Diante de decisões tomadas por ministros de mesma hierarquia e relacionadas aos mesmos fatos, Fachin suspendeu ambas, buscando evitar a continuidade do impasse dentro do próprio Supremo. O presidente da Corte também deu prazo para manifestações e convocou o plenário para analisar a controvérsia.
O episódio está inserido em uma crise mais ampla envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e questionamentos sobre a atuação de integrantes do Judiciário e da Polícia Federal.
As divergências entre ministros passaram a ocupar também o debate político. Em plena campanha presidencial, decisões judiciais são rapidamente incorporadas aos discursos de candidatos e aliados, ampliando a repercussão de uma disputa originalmente jurídica e institucional.
A intervenção de Fachin interrompeu momentaneamente a disputa sobre o comando da PF, mas não encerrou os conflitos que deram origem à crise.
O Supremo terá agora o desafio de definir coletivamente questões que passaram a gerar decisões individuais contraditórias, enquanto as investigações relacionadas ao Banco Master e seus desdobramentos continuam avançando.
A crise já é tratada como um dos momentos de maior tensão interna enfrentados pelo STF nas últimas décadas e chega justamente às semanas decisivas das Eleições 2026.