Cidades Assistência Social
CRAS de Boa Vista leva debate sobre violência contra a mulher a estudantes da EJA em Gurjão
Assistente social Janaína Araújo conduziu roda de conversa sobre formas de violência que podem estar presentes no cotidiano e nem sempre são reconhecidas pelas vítimas
02/09/2026 02h29
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O CRAS de Boa Vista ampliou as ações de conscientização do Agosto Lilás ao levar o debate sobre violência contra a mulher para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da ECIT Juarez Maracajá, no município de Gurjão.

A atividade foi conduzida pela assistente social Janaína Araújo, a convite da professora Danielly Silva, e teve como tema “As Faces da Violência: quando a violência se esconde no cotidiano”. A proposta foi criar um espaço de diálogo, escuta e reflexão sobre situações que nem sempre deixam marcas físicas, mas podem comprometer a liberdade, a autonomia e a dignidade das vítimas.

A participação do CRAS de Boa Vista na atividade também contribuiu para ampliar o alcance das ações desenvolvidas durante o Agosto Lilás, levando informação para além do próprio município e promovendo a troca de conhecimentos com a comunidade escolar de Gurjão.

Quando violência pode ser confundida com cuidado

Durante a conversa, os participantes refletiram sobre comportamentos que, em determinadas relações, acabam sendo naturalizados ou apresentados como demonstrações de cuidado, ciúme ou preocupação.

Controle excessivo, humilhações, ameaças, medo e restrições à liberdade de fazer escolhas estiveram entre as situações discutidas. O objetivo foi mostrar que a violência contra a mulher pode assumir diferentes formas e que reconhecê-las é um passo importante para romper ciclos de abuso.

A atividade também chamou atenção para uma realidade que pode dificultar a identificação da violência: nem toda agressão deixa uma marca visível no corpo. Em muitos casos, os impactos aparecem por meio do medo, do isolamento, do sofrimento emocional e da perda gradual de autonomia.

EJA se transforma em espaço de conscientização

A realização da roda de conversa com estudantes da EJA aproximou a campanha de um público formado por pessoas com diferentes histórias e experiências de vida.

Mais do que apresentar informações, o encontro abriu espaço para perguntas, relatos, escuta e compartilhamento de reflexões, fortalecendo a escola como ambiente que também contribui para a promoção de direitos e para a prevenção de situações de violência.

A professora Danielly Silva e os estudantes participaram das discussões, construindo coletivamente um momento voltado não apenas ao reconhecimento das diferentes formas de violência, mas também à importância de não normalizar atitudes que ferem a liberdade do outro.