A propaganda eleitoral gratuita para a Presidência da República começou neste sábado (29) revelando as primeiras escolhas de comunicação das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para a fase mais intensa da eleição.
Os dois candidatos chegam ao horário eleitoral separados por pequenas diferenças nas pesquisas recentes e diante do desafio de conversar com uma parcela do eleitorado que não está completamente alinhada ao lulismo ou ao bolsonarismo.
Lula utilizou sua trajetória política e realizações dos seus governos como parte central da apresentação, enquanto também estabeleceu contrapontos com o principal adversário.
Flávio buscou apresentar uma imagem mais moderada, explorando aspectos pessoais e familiares e tentando ampliar o diálogo especialmente com segmentos onde encontra maior dificuldade eleitoral, entre eles o público feminino. Segurança pública também apareceu entre os temas utilizados para confrontar o governo.
Já Ronaldo Caiado (PSD) procurou construir uma terceira via narrativa, concentrando parte de sua comunicação nos resultados da administração de Goiás, sobretudo em áreas como segurança e educação.
Além do conteúdo político, a estreia chamou atenção pelo formato.
A linguagem utilizada pelas campanhas mostra que televisão e internet deixaram de funcionar como universos separados. Elementos musicais, apresentações mais rápidas e estruturas capazes de gerar pequenos trechos reutilizáveis ajudam a transformar o programa exibido na TV em matéria-prima para as redes.
Isso significa que uma fala de alguns segundos pode sair do horário eleitoral e rapidamente se transformar em Reel, TikTok, Short, meme, resposta de adversário ou vídeo distribuído pelo WhatsApp.
A estratégia muda a própria lógica de produção. Já não basta pensar nos minutos disponíveis na televisão: as campanhas precisam imaginar quais momentos continuarão circulando depois que o programa terminar.
Confronto deve aumentar
A estreia também indica que a comparação entre os principais candidatos deverá estar presente durante a campanha, ainda que os primeiros programas tenham combinado críticas com tentativas de construção de uma agenda positiva.
Com pesquisas recentes apontando uma disputa apertada, cada programa passa a funcionar como oportunidade de consolidar narrativas sobre economia, segurança, emprego, programas sociais e comportamento dos adversários.
Mas a verdadeira disputa de comunicação não ficará restrita aos minutos oficiais do rádio e da televisão. Em 2026, o guia começa na TV, mas continua durante todo o dia no celular do eleitor.