Brasil Economia
IPCA-15 registra deflação de 0,40%, mas desconto na energia ajuda a explicar queda dos preços em agosto
Prévia da inflação ficou abaixo das expectativas e acumulado em 12 meses caiu para 4,24%; Bônus de Itaipu teve peso importante no resultado
27/08/2026 14h46
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

A prévia da inflação brasileira surpreendeu positivamente em agosto. O IPCA-15 registrou queda de 0,40%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), marcando a primeira deflação do indicador em um ano.

Com o resultado, o IPCA-15 acumula 3,09% em 2026 e 4,24% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,52% registrados no período imediatamente anterior. 

Dos nove grupos pesquisados, Habitação apresentou queda de 1,41%, Transportes recuou 1% e Alimentação e bebidas caiu 0,57%. Juntos, esses três grupos exerceram forte influência sobre o resultado geral. 

Conta de luz teve papel importante

Apesar do número positivo, é necessário observar o que existe por trás da queda.

Um dos principais responsáveis pela deflação foi o Bônus de Itaipu, desconto aplicado às faturas de energia elétrica dos consumidores em agosto.

A energia residencial teve, portanto, um componente específico que ajudou a puxar o índice para baixo e que não necessariamente se repetirá nos próximos meses. 

Isso significa que a deflação de agosto não deve ser interpretada como uma indicação de que os preços brasileiros passaram, de maneira geral e permanente, a cair.

Ainda assim, outros elementos do indicador foram favoráveis. Alimentos, transportes e passagens aéreas também contribuíram para a desaceleração.

O que isso significa para os juros?

O comportamento da inflação é uma das principais informações observadas pelo Banco Central na definição da Selic.

Quanto mais consistente for o processo de desaceleração dos preços, maior tende a ser o espaço para discutir novas reduções da taxa básica de juros.

Mas o Banco Central não observa apenas o índice geral. A composição da inflação, os núcleos, os serviços, as expectativas futuras, a atividade econômica e o cenário fiscal também participam das decisões.

Para empresas e consumidores, a trajetória importa diretamente. Juros menores podem, ao longo do tempo, reduzir custos relacionados a financiamentos, empréstimos, capital de giro, cartão e parcelamentos.

O resultado de agosto é, portanto, uma boa notícia para a trajetória inflacionária, mas o próximo passo será descobrir quanto dessa desaceleração permanece quando os efeitos temporários saírem da conta.