Brasil Economia
Mercado reduz projeção do PIB e combinação de crescimento fraco, inflação e juros desafia economia
Focus reduz estimativa de crescimento para 1,95% em 2026 enquanto empresas continuam enfrentando ambiente de crédito caro
25/08/2026 09h39
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

O mercado financeiro reduziu novamente sua expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo as projeções reunidas pelo Boletim Focus, do Banco Central, a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,98% para 1,95%.

Para 2027, a projeção permanece em 1,50%.

Embora a revisão seja pequena, ela se soma a outros sinais de perda de ritmo da atividade econômica. O IBC-Br, indicador utilizado pelo Banco Central para acompanhar a evolução da economia, registrou avanço de apenas 0,2% no segundo trimestre.

O cenário coloca no radar uma combinação particularmente desafiadora: crescimento moderado, inflação ainda resistente e juros elevados.

Mercado ainda projeta inflação acima de 5%

Segundo o Focus, a mediana das projeções para a inflação de 2026 permanece em 5,02%.

Ao mesmo tempo, a expectativa para a Selic no encerramento do ano está em 13,75%. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14% ao ano.

A manutenção dos juros em patamares elevados possui reflexos que chegam diretamente às empresas e consumidores.

Financiamentos, empréstimos e capital de giro ficam mais caros. Consumidores também encontram crédito mais restritivo, o que pode afetar principalmente segmentos dependentes de parcelamentos e compras financiadas.

Empresas precisam olhar para o caixa

Para os negócios, especialmente pequenos e médios, o cenário reforça a necessidade de cautela na administração financeira.

Quando o custo do dinheiro permanece elevado, endividamento, prazo e fluxo de caixa ganham ainda mais importância. Uma empresa pode ter vendas e até apresentar lucro operacional, mas enfrentar dificuldades caso suas dívidas consumam uma parcela excessiva dos recursos disponíveis.

O comportamento dos consumidores também merece atenção. Em períodos de crescimento econômico mais moderado e crédito caro, preço, promoções e percepção de custo-benefício tendem a ganhar ainda mais peso nas decisões de compra.

Os próximos indicadores de inflação e mercado de trabalho ajudarão a mostrar se a desaceleração abre espaço para novos cortes da Selic.

Até lá, o cenário permanece de atenção: o Brasil continua crescendo, mas em ritmo moderado e ainda convivendo com um custo elevado para financiar consumo e investimentos.