Brasil Economia
Inflação e emprego entram no radar e podem influenciar próximos passos dos juros no Brasil
Semana terá IPCA-15, desemprego, Caged e IGP-M enquanto mercado acompanha sinais sobre inflação, atividade econômica e ritmo dos próximos cortes da Selic
24/08/2026 08h56
Por: Políticas & Negócios Fonte: Tamiris Leitão

A última semana de agosto começa com uma agenda econômica carregada de indicadores capazes de ajudar a definir as expectativas para inflação, emprego, juros e atividade econômica no Brasil.

Nesta segunda-feira (24), investidores acompanham uma nova edição do Boletim Focus, que reúne as projeções do mercado para indicadores como inflação, crescimento, câmbio e taxa básica de juros.

Na quarta-feira (26), as atenções se voltam para o IPCA-15 de agosto, considerado a prévia da inflação oficial. Na quinta-feira (27), o IBGE divulga os dados mais recentes do mercado de trabalho. Já na sexta (28), entram no radar o Novo Caged, o IGP-M e informações fiscais. 

Inflação desacelerou em julho

Os novos indicadores chegam depois de o IPCA registrar alta de apenas 0,07% em julho, menor resultado para o mês em quatro anos.

No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 4,44%. Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,67% no mês, contribuindo para segurar o índice. 

Agora, o IPCA-15 ajudará a mostrar se o movimento de desaceleração continua em agosto.

A leitura é particularmente importante porque influencia as expectativas em torno da política monetária.

A Selic está atualmente em 14% ao ano, após quatro reduções consecutivas promovidas pelo Banco Central. Mesmo com os cortes, a taxa permanece elevada e continua tendo impacto significativo sobre o custo do dinheiro na economia. 

Por que pequenas empresas devem acompanhar?

Discussões sobre Selic podem parecer distantes do cotidiano de um pequeno negócio, mas os efeitos chegam diretamente ao caixa.

Juros elevados significam capital de giro mais caro, financiamentos mais pesados, maior custo para antecipação de recursos e crédito mais restrito para consumidores e empresas.

Por outro lado, inflação mais controlada pode abrir espaço para continuidade do ciclo de redução dos juros, embora as decisões do Banco Central também dependam de atividade econômica, cenário fiscal e expectativas futuras.

Os números de emprego que serão conhecidos nesta semana completam esse quebra-cabeça. Na quinta-feira, a taxa de desemprego ajudará a medir a força do mercado de trabalho. Na sexta, o Caged mostrará o saldo de criação e fechamento de vagas formais. 

Semana pode mudar expectativas para os próximos meses

O mercado financeiro também acompanha fatores externos, especialmente dados da economia americana e o Simpósio de Jackson Hole, que começa no próximo fim de semana e tradicionalmente produz sinalizações importantes sobre política monetária internacional. 

A combinação dessas informações poderá alterar expectativas para juros e câmbio nas próximas semanas.

Para consumidores, empresários e investidores, portanto, não será apenas uma sequência de números econômicos.

Inflação, emprego e juros estão diretamente conectados ao preço do crédito, à capacidade de consumo das famílias e às decisões de investimento das empresas — e os dados divulgados nesta semana ajudarão a mostrar para onde essa combinação está caminhando.