A campanha pelo Governo da Paraíba ganhou mais um capítulo na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) negou pedido apresentado pela coligação do governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) para retirar das redes sociais uma publicação do adversário Efraim Filho (PL).
O conteúdo questionado está relacionado a áudios divulgados no contexto da Operação Perfidus, que investiga policiais civis por suspeitas de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
A decisão foi proferida pelo juiz Aluizio Bezerra Filho, que manteve a publicação no ar neste momento do processo.
A postagem utiliza um áudio atribuído ao policial civil Everton Aires, conhecido como “Bomba”, preso na operação. Na gravação, ele relata ter levado o currículo de um delegado ao então vice-governador Lucas Ribeiro, antes da posse, buscando viabilizar uma nomeação para o comando da Polícia Civil.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu, em caráter provisório, que a publicação de Efraim não criou uma imputação criminosa autônoma dissociada do conteúdo originalmente divulgado pela imprensa. A decisão poderá ser revista durante o andamento do processo.
O episódio chama atenção para uma dimensão que deverá se tornar cada vez mais presente até outubro: a judicialização da comunicação eleitoral.
E ela não está acontecendo apenas de um lado. Também neste sábado, uma decisão do TRE-PB determinou que Cícero Lucena (MDB) retirasse uma publicação que, segundo a avaliação preliminar do magistrado, estabelecia uma associação entre Lucas Ribeiro e o crime organizado sem suporte suficiente no áudio utilizado.
Os dois casos demonstram como diferenças relativamente pequenas na construção de uma publicação podem produzir interpretações jurídicas distintas.
Para campanhas, assessorias e agências de comunicação política, isso aumenta a necessidade de atenção a fontes, contexto, edição de vídeos, legendas, títulos e documentos que sustentem as afirmações publicadas.
A eleição de 2026 está apenas no início, mas um padrão começa a ficar evidente na Paraíba: a disputa será travada nas ruas e nas redes — e parte dela também terminará diante da Justiça Eleitoral.