A Paraíba voltou a figurar entre os estados com municípios no ranking das cidades mais violentas do país. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Santa Rita aparece na 10ª colocação nacional, com uma taxa de 60,9 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
O levantamento considera os registros de homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, consolidando um panorama da violência letal em todo o país.
Embora o Nordeste concentre as dez cidades mais violentas do Brasil, Santa Rita é o único município paraibano presente entre os dez primeiros colocados. O ranking é liderado por Maranguape (CE), que alcançou uma taxa de 100,3 mortes violentas por 100 mil habitantes, seguido por municípios da Bahia, Ceará e Pernambuco.
Panorama da violência na Paraíba
Os dados do anuário mostram que outras importantes cidades paraibanas registraram índices consideravelmente inferiores ao de Santa Rita.
A comparação evidencia que, enquanto Campina Grande apresenta uma das menores taxas entre os grandes municípios nordestinos, Santa Rita permanece como o principal ponto de atenção da segurança pública no estado.
Brasil registra menor número de assassinatos da série histórica
Apesar da situação preocupante em alguns municípios, o Anuário aponta uma tendência nacional de redução da violência letal. Em 2025, o Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais, uma redução de 8% em relação ao ano anterior e o menor número desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2012.
Pela primeira vez, a taxa nacional ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes, encerrando o ano em 19,1.
Violência contra a mulher preocupa especialistas
Se, por um lado, os homicídios apresentaram queda, a violência contra a mulher seguiu em trajetória oposta. O levantamento aponta que 2025 registrou o maior número de feminicídios da história, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Também cresceram outros indicadores, como os casos de violência psicológica, perseguição (stalking), descumprimento de medidas protetivas e ameaças. O estudo revela ainda que, para cada feminicídio consumado, houve aproximadamente três tentativas ao longo do ano.
Outros destaques do anuário
Entre os principais dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública também estão o aumento de 5% nas mortes decorrentes de intervenção policial, o crescimento de 25% nos registros relacionados à produção e compartilhamento de material de abuso sexual infantil e a alta superior a 60% nos casos de bullying e cyberbullying envolvendo jovens.
O levantamento também mostra que o sistema prisional brasileiro alcançou 964 mil pessoas privadas de liberdade, podendo ultrapassar a marca de 1 milhão de presos até 2027, caso a tendência atual seja mantida.
Os números reforçam que, apesar da redução nacional dos assassinatos, o cenário da segurança pública ainda apresenta grandes desafios, especialmente em municípios como Santa Rita, onde os índices de violência permanecem entre os mais elevados do país. O anuário evidencia a necessidade de fortalecimento das políticas de prevenção, investimento em inteligência policial e ampliação das ações sociais voltadas à redução da criminalidade e da violência.