A divulgação da mais recente pesquisa Quaest, nesta quarta-feira (10), movimentou os bastidores da política nacional ao apresentar um cenário em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República.
Segundo o levantamento, Lula registra 44% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro soma 38%. O resultado gerou preocupação entre integrantes do Partido Liberal (PL), que avaliam que acontecimentos recentes podem ter influenciado a percepção do eleitorado e contribuído para um momento mais desafiador da pré-campanha do senador.
Nos bastidores, lideranças da oposição apontam dois episódios como fatores que vêm gerando desgaste político. O primeiro envolve a repercussão da relação de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O segundo diz respeito às discussões sobre as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a visita do senador brasileiro à Casa Branca.
De acordo com interlocutores ligados ao PL, os temas já eram considerados sensíveis internamente e acabaram ampliando uma agenda negativa para a pré-campanha. Apesar disso, integrantes da legenda destacam que os números também demonstram um patamar eleitoral considerado consistente para Flávio Bolsonaro, especialmente nos cenários de primeiro turno avaliados pela pesquisa.
O levantamento também mediu a opinião dos entrevistados sobre temas que ganharam destaque no debate político recente. Um dos questionamentos tratou das acusações envolvendo a política tarifária dos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmaram concordar mais com a versão apresentada por Lula, enquanto 35% disseram concordar com a posição defendida por Flávio Bolsonaro. Outros 18% não souberam ou preferiram não responder.
Outro ponto analisado foi a repercussão das informações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e aos recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme o levantamento, 65% dos entrevistados consideraram que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar apoio financeiro ao empresário para o projeto.
A pesquisa também abordou questões ligadas à segurança pública. Entre os entrevistados, predominou o entendimento de que uma eventual classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas deveria ser conduzida pelo próprio Brasil, e não por governos estrangeiros.
Enquanto isso, analistas políticos observam que os números refletem um cenário ainda em construção para a disputa presidencial. No campo governista, a avaliação é de que medidas econômicas recentes, como a ampliação de programas de renegociação de dívidas e ações voltadas ao alívio tributário, começam a produzir efeitos positivos na percepção da população.
Com a corrida eleitoral ainda distante de sua fase decisiva, lideranças políticas de diferentes campos reconhecem que pesquisas como a Quaest servem como termômetro do momento, mas que os cenários permanecem sujeitos a mudanças conforme o avanço do debate político e das agendas dos possíveis candidatos.